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Conflitos no Oriente Médio reduzem lucro do setor aéreo
Projeta-se que as companhias aéreas do Oriente Médio entrem coletivamente no vermelho devido à fraca demanda

07/06/2026 - 15h48
(
Da assessoria da IATA no Brasil) -
A IATA (Associação do Transporte Aéreo Internacional) divulgou suas últimas projeções financeiras para a indústria global de aviação, apontando uma redução de 50% na lucratividade do setor em decorrência dos impactos causados pelos conflitos no Oriente Médio e pelos altos preços do combustível. O cenário regional, contudo, apresenta forte assimetria. No epicentro geográfico dos conflitos, projeta-se que as companhias aéreas do Oriente Médio entrem coletivamente no vermelho devido à fraca demanda e às interrupções operacionais. Todas as demais regiões devem registrar lucros, embora em níveis inferiores às projeções anteriores.

__

Rodrigo Zanette - 29/03/2024

  AVIAÇÃOPAULISTA.COM
 

Aeronaves estacionadas no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP).
 
   

Espera-se que as companhias aéreas atinjam um lucro líquido combinado de 23,0 bilhões de dólares em 2026, o que representa aproximadamente metade dos 41 bilhões de dólares projetados anteriormente. O valor também equivale à metade da estimativa de lucro líquido de 45 bilhões de dólares para 2025.

A margem de lucro líquido prevista para 2026 é de 2,0%, cerca de metade dos 3,9% projetados anteriormente. O índice também fica abaixo da metade da estimativa de 4,2% para a margem de lucro líquido de 2025.

O lucro líquido por passageiro transportado deve ficar em 4,50 dólares, metade dos 9,10 dólares alcançados em 2025.

O lucro operacional em 2026 está projetado em 48,0 bilhões de dólares (abaixo dos 76,4 bilhões de dólares em 2025), resultando em uma margem operacional líquida de 4,1% (abaixo dos 7,2% em 2025).

O retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) deve ser de 4,3% (abaixo dos 6,6% em 2025). Essa diferença evidencia novamente a fragilidade estrutural da indústria de aviação, onde choques na lucratividade corroem rapidamente a eficiência do capital.

As receitas totais do setor devem atingir 1,165 trilhão de dólares em 2026 (uma alta de 9,4% em relação ao 1,065 trilhão de dólares registrado em 2025).

A taxa de ocupação de passageiros deve continuar quebrando recordes históricos, com a previsão de que as empresas preencham 84,0% de todos os assentos ao longo do ano, uma melhora frente aos 83,5% de 2025.

O volume de passageiros deve atingir 5,1 bilhões em 2026 (alta de 2,4% em comparação a 2025).

Os volumes de carga aérea devem chegar a 71,7 milhões de toneladas em 2026 (alta de 0,2% em relação a 2025).

"As interrupções operacionais decorrentes da guerra no Oriente Médio e a escalada nos custos de combustível deterioraram as perspectivas para as companhias aéreas. Globalmente, espera-se que as companhias aéreas vejam sua lucratividade cair pela metade em comparação a 2025. Os lucros vão encolher de 45 bilhões de dólares em 2025 para 23 bilhões de dólares este ano. As margens recuarão de 4,2% para 2,0%. Os resultados financeiros de todas as empresas estão sofrendo com a rápida alta de 70% nos preços do combustível de aviação (QAV). Parte desse custo adicional está sendo recuperada por meio do reajuste de tarifas e de ganhos de eficiência, mas isso não será suficiente para manter a lucratividade no patamar do ano anterior. Operadoras de menor porte, que iniciaram o ano com balanços patrimoniais mais fragilizados, certamente estão enfrentando dificuldades. No âmbito regional, todas fecharão no azul, exceto o Oriente Médio, embora com um desempenho financeiro severamente reduzido. As companhias aéreas do Golfo enfrentam incertezas operacionais após o fechamento quase total do espaço aéreo no início dos conflitos. Essas empresas estão fazendo um trabalho extraordinário para manter a conectividade, mas impactos financeiros expressivos são inevitáveis", declarou Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.

Mesmo nos períodos mais favoráveis, a indústria aérea global padece de margens estreitas e retornos abaixo do custo de capital. O choque nos preços do petróleo colocou à prova a resiliência financeira das companhias, achatando as margens líquidas globais para 2,0%.

"As companhias aéreas estão arcando com o impacto direto desse choque no preço dos combustíveis. Embora as tarifas aéreas estejam subindo, as empresas ainda absorvem parte desse aumento em suas margens. O lucro líquido por passageiro deve cair para 4,50 dólares, metade do valor registrado no ano passado. Diante das circunstâncias atuais, isso demonstra resiliência. No entanto, essa quantia não é suficiente sequer para comprar um cachorro-quente na maioria dos estádios da Copa do Mundo da FIFA, e não deixa margem de segurança caso outros custos ou impostos comecem a subir", afirmou Walsh.


83ª Assembleia Geral Anual da IATA

A IATA anunciou que a Xiamen Airlines será a companhia aérea anfitriã da 83ª Assembleia Geral Anual (AGM, na sigla em inglês) da IATA e da Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS, na sigla em inglês) em Xiamen, na China, entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2027.


Novo presidente

A IATA anunciou que Roberto Alvo, CEO do LATAM Airlines Group, assumiu as funções de Presidente do Conselho de Administração da IATA. Seu mandato de um ano teve início com o encerramento da 82ª Assembleia Geral Anual da IATA no Rio de Janeiro, Brasil, hoje, dia 7 de junho de 2026.


Alvo é o 84º Presidente do Conselho de Administração da IATA, órgão do qual faz parte desde 2020. Ele sucede a Luis Gallego, CEO do IAG (International Airlines Group), que continuará atuando como membro do Conselho.

   

 
 
 
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