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Conflitos no Oriente Médio reduzem
lucro do setor aéreo
Projeta-se que as companhias
aéreas do Oriente Médio entrem coletivamente no vermelho devido à fraca
demanda
07/06/2026 -
15h48
(Da assessoria da IATA no Brasil)
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A IATA (Associação do Transporte Aéreo Internacional) divulgou suas
últimas projeções financeiras para a indústria global de aviação,
apontando uma redução de 50% na lucratividade do setor em decorrência
dos impactos causados pelos conflitos no Oriente Médio e pelos altos
preços do combustível. O cenário regional, contudo, apresenta forte
assimetria. No epicentro geográfico dos conflitos, projeta-se que as
companhias aéreas do Oriente Médio entrem coletivamente no vermelho
devido à fraca demanda e às interrupções operacionais. Todas as demais
regiões devem registrar lucros, embora em níveis inferiores às projeções
anteriores.
Espera-se que as companhias aéreas atinjam
um lucro líquido combinado de 23,0 bilhões de dólares em 2026, o que
representa aproximadamente metade dos 41 bilhões de dólares projetados
anteriormente. O valor também equivale à metade da estimativa de lucro
líquido de 45 bilhões de dólares para 2025.
A margem de lucro líquido prevista para 2026 é de 2,0%, cerca de metade
dos 3,9% projetados anteriormente. O índice também fica abaixo da metade
da estimativa de 4,2% para a margem de lucro líquido de 2025.
O lucro líquido por passageiro transportado deve ficar em 4,50 dólares,
metade dos 9,10 dólares alcançados em 2025.
O lucro operacional em 2026 está projetado em 48,0 bilhões de dólares
(abaixo dos 76,4 bilhões de dólares em 2025), resultando em uma margem
operacional líquida de 4,1% (abaixo dos 7,2% em 2025).
O retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) deve ser
de 4,3% (abaixo dos 6,6% em 2025). Essa diferença evidencia novamente a
fragilidade estrutural da indústria de aviação, onde choques na
lucratividade corroem rapidamente a eficiência do capital.
As receitas totais do setor devem atingir 1,165 trilhão de dólares em
2026 (uma alta de 9,4% em relação ao 1,065 trilhão de dólares registrado
em 2025).
A taxa de ocupação de passageiros deve continuar quebrando recordes
históricos, com a previsão de que as empresas preencham 84,0% de todos
os assentos ao longo do ano, uma melhora frente aos 83,5% de 2025.
O volume de passageiros deve atingir 5,1 bilhões em 2026 (alta de 2,4%
em comparação a 2025).
Os volumes de carga aérea devem chegar a 71,7 milhões de toneladas em
2026 (alta de 0,2% em relação a 2025).
"As interrupções operacionais decorrentes da guerra no Oriente Médio e a
escalada nos custos de combustível deterioraram as perspectivas para as
companhias aéreas. Globalmente, espera-se que as companhias aéreas vejam
sua lucratividade cair pela metade em comparação a 2025. Os lucros vão
encolher de 45 bilhões de dólares em 2025 para 23 bilhões de dólares
este ano. As margens recuarão de 4,2% para 2,0%. Os resultados
financeiros de todas as empresas estão sofrendo com a rápida alta de 70%
nos preços do combustível de aviação (QAV). Parte desse custo adicional
está sendo recuperada por meio do reajuste de tarifas e de ganhos de
eficiência, mas isso não será suficiente para manter a lucratividade no
patamar do ano anterior. Operadoras de menor porte, que iniciaram o ano
com balanços patrimoniais mais fragilizados, certamente estão
enfrentando dificuldades. No âmbito regional, todas fecharão no azul,
exceto o Oriente Médio, embora com um desempenho financeiro severamente
reduzido. As companhias aéreas do Golfo enfrentam incertezas
operacionais após o fechamento quase total do espaço aéreo no início dos
conflitos. Essas empresas estão fazendo um trabalho extraordinário para
manter a conectividade, mas impactos financeiros expressivos são
inevitáveis", declarou Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.
Mesmo nos períodos mais favoráveis, a indústria aérea global padece de
margens estreitas e retornos abaixo do custo de capital. O choque nos
preços do petróleo colocou à prova a resiliência financeira das
companhias, achatando as margens líquidas globais para 2,0%.
"As companhias aéreas estão arcando com o impacto direto desse choque no
preço dos combustíveis. Embora as tarifas aéreas estejam subindo, as
empresas ainda absorvem parte desse aumento em suas margens. O lucro
líquido por passageiro deve cair para 4,50 dólares, metade do valor
registrado no ano passado. Diante das circunstâncias atuais, isso
demonstra resiliência. No entanto, essa quantia não é suficiente sequer
para comprar um cachorro-quente na maioria dos estádios da Copa do Mundo
da FIFA, e não deixa margem de segurança caso outros custos ou impostos
comecem a subir", afirmou Walsh.
83ª Assembleia Geral Anual da IATA
A IATA anunciou que a Xiamen Airlines será a companhia aérea anfitriã da
83ª Assembleia Geral Anual (AGM, na sigla em inglês) da IATA e da Cúpula
Mundial de Transporte Aéreo (WATS, na sigla em inglês) em Xiamen, na
China, entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2027.
Novo presidente
A IATA anunciou que Roberto Alvo, CEO do LATAM Airlines Group, assumiu
as funções de Presidente do Conselho de Administração da IATA. Seu
mandato de um ano teve início com o encerramento da 82ª Assembleia Geral
Anual da IATA no Rio de Janeiro, Brasil, hoje, dia 7 de junho de 2026.
Alvo é o 84º Presidente do Conselho de Administração da IATA, órgão do
qual faz parte desde 2020. Ele sucede a Luis Gallego, CEO do IAG (International
Airlines Group), que continuará atuando como membro do Conselho.
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