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Até
quando?
Por Apostole Lazaro Chryssafidis, presidente da ABETAR
02/08/2011
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Divulgação - ABETAR |
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Apostole Lazaro Chryssafidis.
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O crescimento do número de usuários do
transporte aéreo nos últimos anos surpreende até os investidores mais
otimistas. A estabilidade econômica, aliada a boa gestão das empresas,
permitiu que só em 2010 fossem registrados aproximadamente 140 milhões
de embarques e desembarques nos aeroportos brasileiros, representando um
crescimento de 23,5%.
E mais que um bom momento do mercado, os números representam uma
tendência de crescimento consolidada, ou seja, uma mudança de
comportamento da população brasileira que descobriu de vez as vantagens
do modal aéreo.
Segundo dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), a demanda de
voos domésticos cresceu 19,54% em junho, na comparação com o mesmo mês
em 2010. No mesmo período, a oferta de voos domésticos cresceu 12,48%,
elevando a taxa de ocupação de 64%, em junho de 2010, para 68,1% no mês
passado.
No entanto, nadando contra a maré, se me permitem o trocadilho, está a
Infraero, estatal que administra 67 aeroportos do país, ou seja, menos
de 10% de todos os aeródromos do Brasil, mas que correspondem a
aproximadamente 97% de todo o tráfego de passageiros.
Entre eles os mais rentáveis são Cumbica (Guarulhos), Viracopos
(Campinas) e Congonhas (São Paulo). Só em 2010, a receita da Infraero
foi de R$ 947,6 milhões, alta de 21,6%. Considerando apenas a
rentabilidade, a estatal fechou 2010 com R$ 32,4 milhões de lucro
líquido, alta de 45,8% sobre 2009.
Mesmo com uma receita superavitária, a Infraero não consegue executar os
cronogramas definidos por ela mesma. Um exemplo disso é o Aeroporto
Professor Urbano Ernesto Stumpf, em São José dos Campos, cidade a menos
de 100 quilômetros da capital de São Paulo.
No ano passado o aeroporto foi apresentado pelo Diretor de Engenharia e
Meio Ambiente da Infraero, Jaime Parreira, como alternativa viável e
estratégica ao esgotamento dos aeroportos da Região Metropolitana de São
Paulo. Segundo o plano apresentado, até a sua internacionalização estava
sendo cogitada para que o aeroporto pudesse receber voos charters na
Copa.
Entre as obras necessárias para adequação do terminal de São José dos
Campos à nova demanda, a instalação de um módulo operacional (MOP) com
mil metros quadrados já tinha prazo e valores definidos: novembro de
2011 a junho de 2012, com previsão de gastos de cerca R$ 2,5 milhões.
Além de tornar o terminal uma alternativa para as companhias,
principalmente as regionais que por falta de slots não conseguem operam
nos aeroportos paulistas de Congonhas e Cumbica, a instalação de um MOP
aumentaria em 5 vezes a capacidade de processamento de passageiros, dos
atuais 90 mil para 600 mil paxs/ano.
Mesmo com tudo planejado, para nossa surpresa, a Infraero cancelou o
investimento em São José dos Campos e declarou que a instalação do MOP
está sendo reestudada, mas sem previsão de quando terminará tal estudo.
Mas, por que reestudar algo que já havia sido considerado viável há mais
de um ano? Enquanto, a Infraero reestuda o que fazer com São José, o
terminal já registra esgotamento. De janeiro a junho de 2011 foram
101.594 embarques e desembarques contra 28.224 no mesmo período de 2010,
representando um aumento de 260%. Em apenas seis meses de 2011, o volume
registrado já é quase 13% maior do que a capacidade do aeroporto.
O que acontece em São José dos Campos é o que acontece no Brasil.
Enquanto, a Infraero reestuda, pensa e não tira os investimentos
programados do papel, o mercado age e busca alternativas, para continuar
crescendo e atendendo a demanda de passageiros ávidos por melhores
condições do transporte aéreo.
Mesmo com tantos malabarismos, a realidade é preocupante. As empresas
associadas à ABETAR tem potencial para crescer em torno de 18% esse ano,
mas diante da realidade da infraestrutura aeroportuária do país, estimam
crescer em torno de 10%.
Se sobram recursos à Infraero, sobram também ao governo, que deixou de
aplicar de 1994 até agosto de 2007 cerca de R$ 470 milhões, de recursos
provenientes do PROFAA (Programa Federal de Auxílio à Aeroportos). E se
considerados os valores até 2010, o montante facilmente ultrapassa a R$1
bilhão.
Por isso, voltamos a dizer, o mercado tem pressa e os usuários também.
Adequar a infraestrutura aeroportuária do país para a Copa de 2014 é um
prazo muito longo, pois as necessidades são reais agora. Pois, se nada
for feito correremos o risco de andar para trás. Até quando vamos
esperar?
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